qual prática é de verdade?
sobre me encontrar dentro da espiritualidade.
durante toda a minha vida, me senti desconectada.
por motivos que depois descobri estarem ligados ao grande evento que foi me entender lésbica, e a tantas coisas que eu ainda precisava resolver com o “outro lado”.
nesse processo de crescer e conhecer o lado invisível, percebi que ainda me sentia, de certa forma, desconectada da prática. nada parecia muito certo.
a fer de 13 anos ainda não conhecia exu e pombagira, tampouco o culto de almas, o culto de mortos. mesmo tendo crescido ao lado de um cemitério famoso pelo culto de santos profanos e milagreiros, eu seguia com o que aprendia nos livros de neopaganismo da época, cultuando deuses de diferentes panteões numa mistura caótica que era o neopaganismo naquele contexto.
ainda assim, não posso negar os resultados que tive. curei pessoas que amava e manifestei muitas coisas com aquilo. mas nada ainda parecia certo.
pedi muito, para alguma força superior, olhando para o céu que via entre os fios dos postes pela janela do meu quarto, que eu pudesse estar em comunidade. que eu pudesse encontrar o que buscava, algo que eu ainda não sabia que era uma tradição.
entender que meu caminho sempre foi a necromancia foi um estalo, com um certo humor. como eu nunca percebi isso? é tão óbvio.
depois da minha iniciação em quimbanda de angola, de ter meu altar, meu nzo, e poder atravessar a rua de casa para entrar no cemitério onde cresci por perto, sem nunca ter entrado, cultuar aqueles que não são inalcançáveis, mas com quem posso concordar, discordar, me estranhar, me reconciliar, porque foram vivos, como eu, é refrescante.
que nunca deixemos quem amamos cair na morte do esquecimento.
a vida é memória.


